Inversão de valores?

Tem horas que me dá vontade de me mudar de planeta. Sério. Não sei como a gente consegue aguentar tanto tapa na cara desse sistema podre que nos rege. Nas últimas semanas tenho visto tantos absurdos que eu nem sei por onde eu começo enumerar.

Depois de um belo fim de ano em Copacabana, vem 2014. Todos aqueles lindos desejos clichês são jogados quase que como oferendas ao vento, superstições e tudo mais… Mas não é possível! Ainda estamos presos aos abusos e a mercê do estado de espírito daqueles que nos governam. Não mudou. O dia primeiro de Janeiro raiou e nós ainda continuamos sendo explorados na cara dura!

Eis que o recesso de fim de ano da faculdade termina e na primeira semana de aula já somos bombardeados com manifestações. Ao conversar com alguns amigos pelo corredor da universidade descubro que a causa é mais uma vez a grande questão relacionada a essa maldita copa do mundo (pra quem?). Desocupações compulsórias, pessoas sem ter onde morar, famílias desabrigadas e mais um Amarildo na conta dessas chacinas diárias endeusadas nas páginas dos nossos jornais sensacionalistas, da nossa mídia sanguinária.

Mais um pouco, ao acessar a internet, me deparo com a linha editorial reacionária da Veja e seus pseudo-intelectuais. Rodrigo constantino e seus amigos “olavetes” atacam novamente. Desisto da internet e vou procurar algo de melhor a ser feito, descubro que o prefeito vai tomar uma atitude de tamanha ousadia ao anunciar o aumento nas tarifas daquilo que nos leva todo dia aos nossos destinos e a que nos referimos por TRANSPORTE PÚBLICO.

Está dada a largada ao ano caótico, ao ano calorento, ao ano das novas (não tão novas) perspectivas e das mudanças (?). Em março tem carnaval, em Junho tem copa. “Olha, que ano maravilhoso pro brasileiro!”, se escuta da boca de estrangeiros e das classes burguesas. Tem certeza? Será mesmo? Oh, meu Deus, que grande Bênção! O país do futebol está de volta! Sim..Vamos ser patriotas, vamos torcer pra nossa tão amada seleção! Ora, já estava quase me esquecendo das eleições… Também né, com tamanhas honrarias pro povo brasileiro, quem se importa com isso? É sempre a mesma coisa…Política é um saco!”

Gostaria de saber a quem interessa todos esses eventos… Gostaria de perguntar se os companheiros da tão digníssima Mangueira estão ansiosos para ver as luzes do Maracanã piscando, segregados da paixão nacional por uma linha de metrô vagabunda e pelo esquema de segurança fortemente armado para impedir ao mundo a decepção de ver a realidade.

Pessoas, indivíduos, humanos estão precisando do auxílio do Estado, e ele parece que cada vez mais vira a cara pro que realmente importa, e pá! Mais um “tapa na cara da sociedade” que está sofrendo com a falta de transporte público de qualidade e cada vez mais caro, com o calor  excessivo nas salas de aula e a recusa de instalação de ar-condicionados nas mesmas (PELA PREFEITURA!), com pessoas deitadas nos corredores de hospitais públicos, com o descaso diário e tão conhecido, mas que não nos conforma.

Não, a gente não quer COPA. Que copa? A copa dos superfaturamentos? A copa dos aeroportos mal estruturados até para os próprios brasileiros? A copa dos esquecidos, dos Amarildos que morrem todo dia nas mazelas das favelas por via da polícia despreparada, racista que possuímos? Estamos aqui, mais uma vez, bestializados diante de tantos acontecimentos. 

Estamos aqui observando a nossa desgraça, a nossa posição de passivos diante de todos os acontecimentos. Será que uma hora a gente cansa? Espero que as pessoas passem a se preocupar mais com o que realmente interessa. Que sejam chatas, questionadoras e que se tornem por fim, inimigas do sistema e de todos aqueles que nos esmagam, nos oprimem e que não nos concedem os direitos nossos de cada dia.

Nathália Santos.

 

Endeusamento ou ilusão, eis a questão

Pois bem. Tenho nas últimas semanas escutado muito o pessoal mexer no assunto mais polêmico e perigoso de todos: A temida política.

Tenho tido em minhas experiências diárias, pequenas revelações sobre a concepção de esquerda e direita hoje. Com todos os acontecimentos que vêm pipocando nos meios de comunicação, me chamou atenção algumas posições, reflexos do senso comum cada vez mais arraigados e que massacram a cada dia a população que é analfabeta, não por não conseguir assinar o próprio nome, mas por não ter oportunidade de construir uma opinião política por si só; estando presa a um sistema que não permite o pensamento livre. 

Por esses dias, vi um adesivo, no qual constava: “Joaquim Barbosa para presidente em 2014” colado em um carro. Parei. Pensei. Fui pra casa e fiquei remoendo dentro da minha cabeça o que isso poderia significar. Cheguei a outras perguntas elaboradas a partir de minhas convicções políticas: A que se deve esse “endeusamento”, quase que exagerado do nosso ministro do STF? O que leva uma população a reverenciar um homem que está em evidência a partir da novela JULGAMENTO DOS MENSALEIROS? A que ponto a mídia pode ser responsável por tais opiniões?

Somos prisioneiros. Prisioneiros de nós mesmos. Não conseguimos raciocinar sem ao menos nos desvencilhar de algum fator externo que pode nos direcionar a uma opinião. Porém lutamos para obtermos um pensamento livre, e que ao invés de opiniões formadas sobre tudo, procurarmos perguntas que esclareçam outras, quase que numa teia infinita.

Joaquim Barboa não me ilude. Acredito de verdade que seja mais um a ser lacaio das grandes empresas que regem nosso país, dos grandes partidários, dos oligarcas e de quase toda a corja que se encontra no cenário político. Não representa a sociedade brasileira em si. O cara chega, manda prender os responsáveis do mensalão e pronto! Já é motivo pra população aplaudir de pé a ação dele. Mas e os outros “mensalões” ? E os outros casos abafados todo dia de corrupção em nosso senado? Será mesmo que já é motivo pra dizer que a impunidade no país está em seus últimos suspiros em vida? Ou será mais um motivo para que aqueles que nos governam manipulem a grande massa de brasileiros que os aplaude, ou manifesta por manifestar? Como dizia José Murilo de Carvalho em um texto que trata da construção nacional na época do império: “Uma ilha de letrados em um mar de analfabetos“, hoje vejo que não mudou nada, o mesmo mar de analfabetos sempre foi e ainda se perpetua na política. Nós ainda assistimos e aplaudimos bestializados ao grande show que todos os dias nos concedem nos jornais de todo o mundo.

Será que sentar e assistir passivamente a tudo isso vai nos ajudar em algo? Será que vangloriar um ministro por ter feito alguns mandados de prisão vai dar fim a impunidade no nosso país? Acho que não.

Cabe a nós, que viramos à esquerda, deixarmos de ser tão intransigentes em nossos ideais e tornar a coisa mais democrática, a popularizar teorias políticas àqueles que realmente sofrem com o sistema e que precisam se libertar das amarras. Cabe a nós levar aos pobres e excluídos a política, a trazer à luz todos que não podem sair das correntes por serem atropelados pela máfia dos poderosos.

Eis aqui meu desabafo,

Nathália Santos.

Sobre professores e educadores

O valor do professor está em baixa ultimamente. A que se deve essa desvalorização? Será que é viável ao governo não possuir um público consciente? A grande verdade é que um povo culto traz perigo àqueles que nos governam, um povo culto questiona, se incomoda com os direitos não concedidos e a partir de sua indignação vai às ruas reivindicar aquilo que os diz respeito.

É verídico o descaso do governo do Rio de Janeiro no que se refere à manutenção da educação das redes públicas e municipais; e por isso, profissionais se reúnem e formam uma greve. As pautas do projeto não são “bichos de sete cabeças”, mas que vistas pelo governador como impossíveis e mais uma vez, negligenciadas, formando mais um empecilho para que haja uma melhoria no setor. Percebemos um absoluto descaso com a educação pública, que cada vez mais vem sendo sucateada em prol de uma privatização. Fator bom? Não. Uma privatização da educação pública traria exclusão àqueles que não possuem poder aquisitivo (o mínimo que seja) para pagar um colégio particular, cada vez mais preocupados em formar um nome, prezar uma marca, promover um ambiente onde os donos passem a ser, ao invés de profissionais de educação, empresários. É a transformação do local educacional em uma corporação que basicamente visa o lucro e desvaloriza os professores.

As reivindicações são justas, e vão desde um pedido de reajuste de salário até tempo de planejamento de aulas. É muito importante que um professor tenha tempo para planejar suas aulas, observar maneiras mais inovadoras e menos maçantes de passar o conteúdo. O reajuste ajudaria e muito a valorizar a classe que está ali, em pé na frente de um quadro, gastando a voz, as cordas vocais, aguentando abuso de alunos (que diga-se de passagem, têm aderido a essa onda de desvalorização docente), de pais que se acham clientes e que por este motivo (de pagar pela escola, ou não) devem culpar por tudo a instituição educacional.

Não é o dinheiro que vai valorizar professores, que além disso, são educadores. Redundante? Creio que não, pois para mim, há uma pequena diferença entre essas duas palavras: o educador transcende as funções de professor, que além de jogar matéria para aqueles que vão digerí-la, ainda educam para a vida, ensinam a ser cidadãos, cabeças que pensam.

Pra que tanta negligência? O magistério é a profissão que mais deveria ser valorizada e bem remunerada; pois além de estudarem MUITO para passar seu conhecimento e tirar a população da ignorância, ser responsável pela formação profissional, é aquela que forma os tão aclamados advogados, médicos, engenheiros, e todas as outras profissões que são super valorizadas por aí..

Como futura professora, peço respeito aos professores (educadores) por vocação e digo que estou apoiando a luta dos meus futuros colegas de trabalho em prol da melhoria de um sistema que deveria sempre estar em um “padrão FIFA”. 

Um (in)consciente jovem e coletivo

Às vezes me pergunto qual o papel que nós exercemos em nosso meio. Vejo uma grande massa de jovens ociosos, enquanto outra grande parte busca se engajar e estar sempre a frente das mudanças. Daí meu questionamento: “A quem cabe o dom de revolucionar?”

Primeiramente, creio que o verbo REVOLUCIONAR é antes de tudo, sair da posição da inércia, é tomar partido de coisas que incomodam e que muitas vezes são injustas ou excludentes. Tomar consciência do nosso poder de mudança pode ser crucial para que nosso ambiente seja passível a transformações.

Política é vivência, e ao contrário do que muitos dizem, não só teoria, ou estar dentro de uma universidade. A política vai além do que se pode ler no livros e dos ensinamentos em sala de aula. Não, não que isso não seja importante, mas acredito que aquilo que vivemos, nossas indignações nos movem a tomar atitudes. Como Lênin já dizia: “Mas o escravo que se deu conta de sua escravidão e se ergueu para a luta por sua libertação já semi-deixou de ser escravo.” Com isso, é importante ressaltar que o conhecimento teórico pode ser muito importante, mas sobretudo, devemos tomar consciência de que nascemos escravos; sim, escravos de um sistema que nos oprime e que na maioria das vezes não atende ao todo, as minorias, à massa; mas sim a uma elite que preza seus direitos acima de quaisquer condições as quais sejam submetidos os demais membros de uma população. Aquele que se sente incomodado, age para que haja mudança.

Há também uma necessidade muito grande de educação de qualidade, que não tem sido concedida pelo Estado àqueles que dependem do mesmo. A privatização da educação é algo que exclui as massas, que torna a mesma algo que só quem é privilegiado possui. Se apenas os privilegiados possuem, “o povão” não tem acesso, e isso facilita manobras políticas e põe jovens e adultos em estado de inércia. Educação deveria ser algo primordial, e não funciona sem a valorização de professores e investimento governamental; causando descaso e falta de vontade de aprender, vontade de aprender é essencial para que pessoas saiam da ignorância e se tornem cabeças pensantes que não se convertam a quaisquer discursos políticos baratos e tão vazios. Até quando vamos nos contentar com esse cabresto posto pelo Estado? Até quando vamos ser eternos submissos daqueles que nos oprimem?

Então.. A quem cabe o dom da revolução? Simples, àqueles que tomam consciência de que DEVEM estar conscientizados e unir o coletivo, sair do senso comum. Sair da posição de um simples submisso, de um escravo, e tomar sua liberdade, reivindicando direitos e justiça. Os jovens são utópicos, os jovens se mobilizam, os jovens revolucionam e trazem o coletivo a agir em prol dos direitos para humanos direitos.

O meu “oi”

Boa noite! Venho me apresentar por meio desta postagem e dizer o meu objetivo ao criar este blog. Um pouco de mim: Nathália, 18 anos, historiadora em formação, universitária e vascaína doente.

Aqui tratarei de assuntos que podem variar de política, assuntos atuais até devaneios e pensamentos que gostaria de compartilhar.

Desde já agradeço aos que visualizarem minhas posições e pensamentos.

E viva a liberdade de expressão! 🙂